9 de outubro de 2017

Conflitos de ideologias prejudicam a análise crítica da reforma trabalhista

A especialista em direito político e econômico Isabelli Gravatá e o advogado Nelson Mannrich, professor titular do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade da USP, apresentaram o painel “Avaliação do modelo da reforma trabalhista”, nesta quarta-feira (04/10), durante o XI Encad. Os profissionais debateram sobre as transformações nas leis trabalhistas e as consequências do novo modelo para empregados e empregadores.

Com previsão de implantação para o dia 11 de novembro deste ano, a reforma tem levantado questionamentos e dúvidas nas classes trabalhistas afetadas por essas mudanças. Para Mannrich, as ideologias envolvidas no debate sobre a reforma trabalhista têm impedido o desenvolvimento de argumentos científicos e críticas aprofundadas. O profissional destaca que este tipo de pensamento só prejudica os principais atores desta mudança, ou seja, os trabalhadores brasileiros.

“Aqueles que são contra a reforma acabam se manifestando de uma forma tão contundente que a questão se transforma em uma fictícia batalha entre o bem e o mal. Este não é o caminho a ser seguido por aqueles que podem ajudar na construção de uma mudança que deve atender as necessidades dos brasileiros. Para uns ela é um retrocesso social. Para outros, importante avanço. Quem tem razão? Precisamos ser a favor do Brasil e de sua sociedade”, analisou o advogado.

Para a advogada Isabelli Gravatá, a população ainda não tomou o real conhecimento da magnitude das transformações que a reforma trabalhista irá trazer para os profissionais. A especialista considera a reforma um grande passo, porém ainda não complementa boa parte das brechas presentes na lei anterior.

“Embora os profissionais do Direito já tenham essa consciência sobre a necessidade da mudança, grande parte da população permanece calada. Na democracia em que vivemos nós escolhemos, mas não sabemos o que os nossos escolhidos fazem, sem a noção do quanto isso poderá nos afetar. O povo não está na rua se manifestando contra a reforma, se será boa ou ruim. É algo surpreendente tendo em vista que é uma mudança que afetará boa parte da sociedade brasileira”

Ao final da apresentação, o Adm. Wagner Siqueira, presidente do CFA e conselheiro federal pelo CRA-RJ, mediou um debate com os palestrantes do painel, respondendo a dúvidas dos presentes.

Em breve, já estará disponível na CRA-RJ Play e na Rádio CRA-RJ este e todos os outros painéis do XI Encad. Fique ligado nas nossas mídias sociais para saber em primeira mão.

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